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Tratando a cefaleia em salvas em casa: remédios que os pacientes usam

Remédios caseiros para cefaleia em salvas: energéticos e cafeína, exercício, terapia com gelo, melatonina, kudzu, cannabis e outros truques relatados por pacientes.

Escrito por Alfredo Parra, PhD

Última atualização: 10 de setembro de 2026

Este capítulo trata do tratamento da cefaleia em salvas em casa: os remédios e truques que os pacientes usam por conta própria, além do que o médico prescreve. Alguns têm o respaldo de pequenos estudos, outros apenas de pesquisas com pacientes, e alguns se apoiam somente no boca a boca. Cobrimos os mais comuns: o que as pessoas usam, o que as evidências mostram (quando existem) e por que esses remédios podem funcionar.

Um lembrete antes da lista: o fato de um tratamento não constar em uma diretriz clínica não significa que ele não funcione. Os pacientes usaram oxigênio por conta própria durante décadas antes que os ensaios randomizados chegassem à mesma conclusão. Ao mesmo tempo, os relatos de pacientes têm um peso muito menor como evidência do que um ensaio controlado, e alguns desses remédios caseiros vão acabar se mostrando ineficazes quando forem devidamente testados. Leia este capítulo como um panorama do que os pacientes tentam em casa, e não como uma recomendação.

Independentemente do que você tentar, o básico continua valendo: você precisa de um tratamento abortivo e de um tratamento preventivo (abordados nos capítulos sobre tratamentos abortivos e tratamentos preventivos). Os remédios caseiros deste capítulo são complementos baratos e seguros, mas não substituem o tratamento médico adequado.


Energéticos e cafeína

É comum que os pacientes, ao primeiro sinal de uma crise, tomem um energético bem gelado de uma vez só, o mais rápido que conseguirem. Red Bull, Monster e 5-Hour Energy são as marcas mais citadas. Um espresso ou um café forte gelado funciona da mesma forma.

A cafeína e a taurina provavelmente explicam o efeito. A cafeína bloqueia os receptores de adenosina, o que estreita levemente os vasos sanguíneos e reduz a liberação de CGRP (o CGRP é uma molécula sinalizadora envolvida na dor de cabeça). A taurina também parece afetar a atividade cerebral, embora de forma menos clara.

Em uma pesquisa com mais de 2.000 pacientes com cefaleia em salvas, 17% classificaram os energéticos como "completamente ou muito eficazes" para interromper as crises.[1] É um resultado bem abaixo do oxigênio e dos triptanos, mas melhor do que o de várias opções de medicamentos com receita. Não existem ensaios controlados sobre isso na cefaleia em salvas.

Tenha cuidado com a dose. Cafeína em excesso pode causar palpitações e ansiedade, principalmente se você também estiver usando triptanos ou tiver algum problema cardíaco. Não combine energéticos com estimulantes vendidos com receita ou outros medicamentos que estreitam os vasos sanguíneos.


Exercício vigoroso

Alguns pacientes conseguem abortar as crises correndo, fazendo burpees, subindo escadas ou fazendo flexões assim que a crise começa. O que importa é elevar a frequência cardíaca rapidamente.

Um artigo de 2025 publicado na Annals of Clinical and Translational Neurology fez uma pesquisa com 23 pacientes com cefaleia em salvas que usavam o exercício como abortivo. Desses, 80% disseram que a dor diminuiu, e em 15% o exercício interrompeu a crise por completo. Metade dos que tiveram algum benefício considerou o exercício seu tratamento mais eficaz, melhor do que qualquer medicamento que já haviam experimentado.[2]

Entre os pacientes em geral, cerca de 43% já tentaram o exercício como abortivo, e 30% relatam uma melhora de pelo menos 50%.[2] As formas mais comuns são corrida (39%), agachamento (30%), subir escadas (22%) e flexões (17%).

Como isso funciona? O exercício intenso ativa o sistema nervoso simpático (a resposta do corpo ao estresse) e altera os níveis de dióxido de carbono no sangue, o que pode acalmar o hipotálamo, a região do cérebro que comanda as crises de cefaleia em salvas.

Se você tem algum problema cardíaco, não tente isso sem antes consultar seu médico.


Terapia com frio e gelo

Os pacientes colocam bolsas de gelo no pescoço ou no lado dolorido do rosto, tomam banho frio, bebem algo gelado de uma vez só ou mergulham o rosto em água com gelo, seja ao primeiro sinal de uma crise, seja quando ela já está em andamento.

O frio provavelmente estreita os vasos sanguíneos e desencadeia o "reflexo de mergulho", uma resposta automática que desacelera o coração quando a água fria entra em contato com o rosto.

Um ensaio randomizado mostrou que resfriar o pescoço de forma localizada ajuda na enxaqueca, mas não existe um ensaio comparável para a cefaleia em salvas.


Melatonina em alta dose

As doses padrão de melatonina para cefaleia em salvas (abordadas no capítulo sobre tratamentos preventivos) ficam em torno de 10 mg ao deitar. Quando 10 mg não são suficientes, a comunidade de pacientes às vezes usa doses bem mais altas (15 a 25 mg, ocasionalmente 30 mg).

Apenas a dose de 10 mg foi testada em um ensaio clínico. Em um pequeno estudo randomizado, metade dos pacientes com cefaleia em salvas episódica ficou livre de crises em três a cinco dias tomando 10 mg ao deitar, contra nenhum paciente no grupo do placebo. Os pacientes com a forma crônica não responderam.[3] As doses mais altas se baseiam em relatos de pacientes.

Em doses mais altas, os efeitos colaterais incluem sonolência na manhã seguinte, sonhos vívidos e, ocasionalmente, dor de cabeça no dia seguinte.


Spray nasal de capsaicina e civamida

A capsaicina (a substância que dá ardência às pimentas) e sua prima sintética, a civamida, aplicadas em spray nasal, podem reduzir a frequência das crises ao dessensibilizar aos poucos as terminações nervosas dentro do nariz que detectam a dor (parte do nervo trigêmeo, o principal nervo da dor no rosto).

Em um ensaio duplo-cego, o spray nasal de civamida reduziu o número de crises de dor de cabeça em cerca de 56% ao longo de sete dias, contra 26% com placebo.[4] O spray nasal de capsaicina conta com alguns ensaios menores e mais antigos.

A civamida nunca chegou a ficar amplamente disponível. Algumas farmácias de manipulação preparam spray nasal de capsaicina sob encomenda. O principal efeito colateral é uma ardência intensa no nariz, com lacrimejamento, nas primeiras aplicações, que costuma diminuir.


Sexo e orgasmo

Alguns pacientes relatam que o orgasmo aborta as crises. Em uma pesquisa de 2013 com mais de 300 pacientes com cefaleia em salvas ou enxaqueca, 73% dos que tinham cefaleia em salvas disseram que o orgasmo alterava a dor.[5] Alguns descreveram crises que terminaram no momento do orgasmo. Um estudo de caso publicado descreve um paciente que aprendeu a usar isso como abortivo confiável.[6]

O orgasmo ativa intensamente o hipotálamo, a mesma região do cérebro que os cirurgiões têm como alvo na estimulação cerebral profunda nos casos mais refratários.


Kudzu (Pueraria lobata)

O kudzu é uma trepadeira usada há muito tempo na fitoterapia do Leste Asiático. Uma pequena revisão de prontuários de 16 pacientes com cefaleia em salvas que usaram extrato de kudzu[7] constatou que 69% tiveram crises menos intensas, 56% tiveram menos crises, 31% tiveram crises mais curtas, e os efeitos colaterais foram mínimos.

A dose usada pela comunidade de pacientes é de 500 a 1.000 mg de extrato padronizado, duas ou três vezes ao dia. Não há nenhum ensaio randomizado, e não se sabe ao certo como ele funciona. A principal hipótese é que o kudzu tenha uma ação leve sobre a serotonina.


Cannabis e CBD

A cannabis é um dos tratamentos alternativos mais experimentados pelos pacientes, e também um dos menos previsíveis: alguns dizem que ajuda, outros dizem que não faz nada, e outros ainda dizem que piora as crises. Uma pesquisa de 2013 com 139 pacientes com cefaleia em salvas constatou que 45% já haviam usado cannabis e que 19% a haviam experimentado especificamente como abortivo.[8] Entre os que experimentaram:

  • 26% relataram alguma eficácia
  • 52% relataram resultados variáveis ou incertos
  • 22% relataram efeitos negativos, incluindo piora das crises

Por que o efeito da cannabis varia tanto? As diferentes cepas têm proporções muito diferentes de THC e CBD. O THC (o principal componente psicoativo) dilata os vasos sanguíneos do cérebro, o que pode piorar as crises de cefaleia em salvas. O CBD não tem esse efeito.

Os autores desse estudo concluíram que a cannabis não pode ser recomendada como tratamento para a cefaleia em salvas. Se mesmo assim você quiser experimentar, saiba que ela pode ajudar, não fazer nada ou piorar as crises.


Técnicas de respiração

Alguns pacientes relatam que a respiração Wim Hof (ciclos de respiração profunda seguidos de pausas prendendo a respiração) pode abortar as crises, mas não existem ensaios controlados a respeito.

Um aviso importante: em um pequeno grupo de pacientes, as crises são desencadeadas pela manobra de Valsalva (o esforço que você faz ao levantar algo pesado ou ao fazer força para evacuar). Para esses pacientes, as técnicas que envolvem prender a respiração pioram as crises. Se você já percebeu que fazer força desencadeia suas crises, deixe as técnicas de respiração de lado.


Outros remédios relatados pela comunidade

Alguns outros remédios aparecem com frequência nas comunidades de pacientes, mas com pouca ou nenhuma evidência publicada:

  • Beber um litro de água gelada de uma vez só, o mais rápido possível, ao primeiro sinal de uma crise.
  • Chá de gengibre fresco ou produtos fortes de gengibre (como shots de gengibre) para as "sombras" (a pressão de fundo entre as crises) e como preventivo diário.
  • Taurina isolada, em cápsulas (1 a 2 gramas), ao primeiro sinal de uma crise.
  • Banhos quentes ou compressas quentes no lado dolorido. É o oposto do gelo, e funciona para um pequeno grupo de pacientes.
  • Beber muita água todos os dias (muitas vezes um galão, cerca de 4 litros, ou mais) como preventivo geral.

Nenhum deles tem evidências além dos relatos de pacientes. Como são baratos e de baixo risco, os pacientes acabam experimentando.


Referências (8)
  1. ↩ Schor LI, Pearson SM, Shapiro RE, Zhang W, Miao H, Burish MJ (2021). Cluster headache epidemiology including pediatric onset, sex, and ICHD criteria: Results from the International Cluster Headache Questionnaire. Headache, 61(10), 1511–1520. Link
  2. ↩ Kang DY, Sprenger T, Goadsby PJ, et al. (2025). Exercise as an abortive treatment for cluster headaches. Annals of Clinical and Translational Neurology. Link
  3. ↩ Leone M, D'Amico D, Moschiano F, Fraschini F, Bussone G (1996). Melatonin versus placebo in the prophylaxis of cluster headache: a double-blind pilot study with parallel groups. Cephalalgia, 16(7), 494–496. Link
  4. ↩ Saper JR, Klapper J, Mathew NT, Rapoport A, Phillips SB, Bernstein JE (2002). Intranasal civamide for the treatment of episodic cluster headaches. Archives of Neurology, 59(6), 990–994. Link
  5. ↩ Hambach A, Evers S, Summ O, Husstedt IW, Frese A (2013). The impact of sexual activity on idiopathic headaches: an observational study. Cephalalgia, 33(6), 384–389. Link
  6. ↩ Gotkine M, Steiner I, Biran I (2007). Sexual activity and cluster headache. Headache. Link
  7. ↩ Sewell RA (2009). Response of cluster headache to kudzu. Headache, 49(1), 98–105. Link
  8. ↩ Leroux E, Taifas I, Valade D, Donnet A, Chagnon M, Ducros A (2013). Use of cannabis among 139 cluster headache sufferers. Cephalalgia, 33(3), 208–213. Link

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